Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

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Astrônomos detectam um disco de detritos singular que prenuncia o futuro do Sistema Solar

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Crédito: ESO/L. Calçada)

Representação artística do disco de detritos ao redor da anã branca J1328−1450 (Crédito: ESO/L. Calçada)

Astrônomos que utilizam o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO) descobriram um raro disco de detritos ao redor de uma estrela morta, o que oferece um vislumbre do que pode acontecer com o nosso Sistema Solar. Ao contrário de sistemas semelhantes encontrados anteriormente, os detritos — restos de planetas que um dia orbitaram a estrela — estão organizados em um disco duplo, com as duas partes separadas por um espaço vazio. O disco parece ser moldado por dois corpos planetários — um deles, possivelmente, do tamanho de Plutão — que sobreviveram à morte violenta da estrela.

“Já sabemos há algum tempo que planetas podem sobreviver à transformação de sua estrela central, mas este é o primeiro exemplo de um sistema complexo com um disco duplo de detritos e, potencialmente, dois planetesimais sobreviventes”, afirma Nicola Gentille Fusillo, astrônoma da Università degli Studi di Trieste, na Itália, e autora principal do estudo publicado esta semana na Nature Astronomy. A estrela central deste sistema é a anã branca J1328−1450 — o núcleo denso e exaurido que permanece após uma estrela semelhante ao nosso Sol esgotar seu combustível.

À medida que estrelas como o Sol entram nos estágios finais de sua vida, elas se expandem e liberam suas camadas externas, engolindo e destruindo planetas próximos. Os corpos rochosos que sobrevivem podem se fragmentar, formando um disco ao redor da estrela morta central. No entanto, o disco ao redor da J1328−1450 difere daqueles observados em torno de outras estrelas mortas: em vez de apresentar apenas um anel de escombros planetários vaporizados, a estrela está cercada por dois anéis concêntricos de detritos.

“A estrutura que observamos neste sistema é particularmente intrigante, pois os dois anéis gasosos são notavelmente estáveis ​​e permanecem separados por um espaço vazio”, diz o coautor Felipe Lagos-Vilches, astrônomo da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e da Universidad Técnica Federico Santa María, no Chile. “O sistema oferece um vislumbre raro do processo violento e caótico pelo qual um sistema planetário chega ao seu fim, e sugere que estrelas mortas podem apresentar estruturas de disco muito mais complexas do que se imaginava anteriormente”, acrescenta Gentile Fusillo, que também é afiliado ao INAF – Observatório Astronômico de Trieste.

Segundo a equipe, essa estrutura dupla complexa é provavelmente mantida por dois corpos remanescentes semelhantes a planetas, em órbitas distintas. Eles estimam que o corpo presente no anel interno tenha o tamanho de um asteroide típico — com alguns quilômetros de diâmetro —, enquanto o corpo no anel externo poderia ser tão grande quanto Plutão, ou até mesmo a nossa Lua.

Todos os discos de detritos conhecidos ao redor de anãs brancas foram identificados por meio da mesma assinatura observacional, a qual indica a presença de um único disco plano em rotação. No entanto, as novas observações — realizadas com o instrumento X-Shooter no VLT do ESO, no deserto do Atacama, no Chile — mostram que o sistema J1328−1450 rompe completamente com esse padrão, revelando, em vez disso, a assinatura única de um disco duplo.

As observações também revelam a presença de elementos como cálcio, oxigênio, magnésio e ferro no disco, indicando uma composição semelhante à do material planetário rochoso encontrado em nosso próprio Sistema Solar. Além disso, os dados apontam que os dois anéis do disco possuem, de fato, composições bastante distintas: o anel interno é rico em magnésio gasoso, enquanto o anel externo é, em grande parte, desprovido desse elemento. Isso sugere que os planetesimais que alimentam os anéis originaram-se de dois planetas com composições diferentes. Uma explicação alternativa é que eles sejam o resultado de partes distintas de um mesmo corpo celeste — como, por exemplo, a crosta e o núcleo de um planeta. Nosso Sistema Solar pode ter um destino semelhante, já que o nosso Sol, em um futuro distante, se tornará uma anã branca — um processo que pode destruir a Terra. “O sistema, portanto, oferece um vislumbre notável de como poderá ser o futuro de sistemas planetários, incluindo sistemas como o nosso”, conclui Lagos-Vilches.

Mais informações

Esta pesquisa foi apresentada em um artigo publicado na Nature Astronomy (doi: 10.1038/s41550-026-03004-3).

A equipe é composta por Nicola Pietro Gentile Fusillo (Dipartimento di Fisica, Università di Trieste e INAF-Osservatorio Astronomico di Trieste, Itália), Felipe Lagos-Vilches (Departamento de Física, Universidade de Warwick, Reino Unido, e Departamento de Física, Universidad Técnica Federico Santa María, Chile), Boris T. Gänsicke (Departamento de Física e Centro de Exoplanetas e Habitabilidade, Universidade de Warwick, Reino Unido), Christopher J. Manser (Departamento de Física, Grupo de Astrofísica, Imperial College London, Reino Unido) e Detlev Koester (Institut für Theoretische Physik und Astrophysik, Universidade de Kiel, Alemanha).

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Procedência

Fonte original
Dead star and planetary bodies: astronomers spot unique disc of debris that foretells Solar System’s future, ESO — Observatório Europeu do Sul, 27 de outubro de 2026.
Autoria
information@eso.org
Direitos
Reprodução autorizada por licença aberta. CC BY 4.0 — texto adaptado e traduzido. Adaptado e traduzido de comunicado do ESO, publicado sob licença CC BY 4.0.
Tradução
Traduzido do inglês com apoio de tradução automática (none) e revisado pela redação. Em caso de dúvida, vale o texto original.
Imagem
Crédito: ESO/L. Calçada).